20 março, 2011

Blastasias e Aposfémias





Com uma semana inapelávelmente subjugada às avassaladoras ocorrências no Japão, vejo-me na contingência de emitir descargas biliosas, eventualmente iconoclastas, algumas totalmente descontextualizadas:



* Continuam a levantar-se os fúteis hipócritas, que se comprazem em corriqueiras viagens low-cost para weekends em urbes cosmopolitas ou semanas em remotas e catalogadas praias para férias excursionistas de sonho, em zombaria para com os teimosos e patéticos pioneiros da aeronáutica, que na sua busca aperfeiçoadora de estrambólicas máquinas voadoras, se estampavam gloriosamente em busca de uma vertiginosa e utópica ambição.

* No equilíbrio do deve e haver universal, quando a alguém, numa daquelas improbabilidades da unidade para tetraliões, sai um jackpot, é consequentemente inevitável, na outra extremidade da regente distribuição gaussiana, algum desgraçado, à sua pequena escala, ter de enfrentar um infortúnio de proporções cósmicas.

* Mesmo com uma persistente, insuportável e perene ventania, são precisos no mínimo 2400 geradores eólicos para produzir o mesmo que uma central nuclear de média dimensão.

* Os grandes desastres, os que profundamente me afligem, são os premeditadamente maliciosos: ensaios recorrentes em seres humanos desprotegidos, inadvertidos e inocentes (infecciosos, radioactivos, sociológicos, políticos, ...), super-vírus informáticos, concebidos para atacar sistemas de controlo industriais, normalmente em unidades de produção ou serviços críticos ou essenciais, com intuitos perniciosos e terroristas (o Stuxnet), genocídios permitidos e quantas vezes tão bem nutridos por tantos, que do alto de institucionais palanques debitam papagueando, firmes mas estafadas condenações.

* Entre tantas antevisões e projecções futurológicas, negras ou brilhantes, sobre esta nossa sociedade moderna, aberta e global, uma há que me agrada particularmente e que anseio vivamente se concretize (quanto mais não seja pelos efeitos desmistificadores e profilácticos) : ainda durante esta década, serão os físicos a fazer as previsões sobre economia. Contráriamente aos actuais eminentes macro "banha-da-cobristas", gurus e masterizados analistas produtores de palpites, que racionalizam e extrapolam o amanhã com base em médias e comparações com performances e ocorrências do ontem (tempo passado esse, com o qual não aprendem rigorosamente nada!), os econo-físicos estarão em condições de lidar, eles sim, com sistemas complexos, loops condicionados, efeitos em cascata, multivariabilidade difusa, caos, tomadas de decisão irracionais e outras influências destabilizadoras, estatísticamente improváveis e dificilmente antecipáveis.


5 Comments:

Blogger henedina said...

Blastasias? O que quer dizer?
último asterisco*. Os das médias e tendências são os que não acertaram nem leram atempadamente o cisne negro.
Pensamentos, ideias e actos biliosos fazem mais mal a quem os tem do que aqueles que sofrem as consequências.
O dia esteve cheio de sol, ontem a lua esteve mais perto, por isso parecia maior do que nos últimos 18 anos (14%). Boa semana.

20 março, 2011  
Blogger henedina said...

No cisne negro o escritor diz que não há distribuição gaussiana que isso é outra falácia.

20 março, 2011  
Anonymous henedina said...

Blastasias e Aposfémias.
Blasfémias e Apostasias.

21 março, 2011  
Blogger Windtalker said...

1* Os meus "maus fígados" atravessam uma fase nefasta; com tendência para piorar nas próximas semanas! Retribuo no entanto, os votos de boa semana.
2* Não é bem isso que ele diz! Diz antes que não podemos tê-las em consideração no caso de ocorrências extremas ou de elevada improbabilidade. A minha curva apenas ilustra o injusto (mas tão concreto) equilíbrio da tremenda sorte e do infinito azar.
3* Os anagramas tanto servem para despistar como para subverter a imagem/carga, associada a uma palavra.

22 março, 2011  
Anonymous henedina said...

"tendência para piorar nas próximas semanas". Parece os juros da dívida pública.
É melhor fugir? Quem me avisa meu amigo é.
"ocorrências extremas ou de elevada improbabilidade." Sim era isso.
Nem sempre o cisne negro será mau, apenas é improvável, saí da norma, não é gaussiano.

23 março, 2011  

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