12 abril, 2011

A Sina


No fim do lauto e requintado jantar, abordámos o reputado economista europeu, como nós convidado para a informal e agradável festa de uns amigos comuns, e com a vantagem da descontraída atmosfera in vino veritas, questionámo-lo sobre as perspectivas do país, as dívidas, os juros e os resgates, os Fundos e as respectivas consequências para a economia e a sociedade. Esboçando um amável e condescendente sorriso, passou a explanar que, apesar de toda a poeira que possa ser levantada e dos incómodos e ruidosos zumbidos distractores envolventes, apenas dois caminhos pragmáticos se lhe apresentavam claramente, como vias para uma resolução do imbróglio:

  • Total e estrita austeridade, infalível rigor, controlo de despesas e custos, aumento sustentado da competitividade da economia, crescimento positivo ímpar e duradouro durante todo o período de consolidação: perseverando inflexivelmente neste objectivo, as contas estarão equilibradas e o país viabilizado dentro de trezentos anos.
  • Usar a arma a que outros países, nomeadamente os Estados Unidos, recorrem em situações idênticas e que lhes tem permitido manter-se à superfície após as mais variadas tormentas financeiras: desvalorizar a moeda (e tentar manter-nos agarrados ao euro com todas as unhas e todos os dentes!).

A partir deste ponto, desenvolveu alguns corolários, uns mais óbvios, outros assaz rebuscados mas, súbitamente interrompeu-se e, após uma curta pausa, exortou-nos a levantar os balões com a aguardente velha e a brindar ao futuro das ilhas económicas da velha Europa política (ou foi ao contrário?).

6 Comments:

Anonymous henedina said...

Desvalorizar a moeda é o que fizemos na última vez que tivemos o FMI mas agora estamos no euro. It's no possible!

15 abril, 2011  
Blogger Windtalker said...

Duas vias para impossibilidades diferentes!... estaremos condenados?
Segue nos próximos episódios desta nossa novela caseira! (E que tal se se desvalorizasse o Euro? isto como forma de perspectiva bárbara, claro!)

15 abril, 2011  
Anonymous henedina said...

Se tentarmos sair desta pela via normal estamos condenados.
Somos um povo soberano. Temos que renegociar a divida, os credores preferem ficar com algum dinheiro e não sem nada. Pagamos o que devemos mas só pagamos os juros que consideramos aceitaveis como país. Pomos as empresas de ranking e os agiotas em tribunal internacional por burla agravada e enquanto estão em tribunal pedimos uma providencia cautelar. Produzimos e não permitimos ao novo governo que prejudique quem trabalhe para enriquecer quem nos colocou na falencia, bancos/financeiros. Ganhar dinheiro sem produzir riqueza é que pos o mundo assim.
Vale mais que votar em branco. Ter ideias originais para sair da crise. Pedir a jovens economistas que encontrem soluçoes. Por muito "oniricas" que sejam não podem ser mais "oniricas, de pesadelo" que a realidade.
(apesar de eu ter "uma certa urticaria" a posturas estritamente oniricas...)

17 abril, 2011  
Blogger Windtalker said...

Presumo que o partido da sua escolha incorpora nas suas listas uma grande falange de fadas e duendes...
"Produzimos e não permitimos (?!) ao novo governo que prejudique quem trabalhe para enriquecer quem nos colocou na falencia"..."Pedir (?!) a jovens economistas que encontrem soluções"
Para quem é alérgica a onirismos, eis-nos em pleno choque histamínico (sugiro acompanhar com leituras de William Shakespeare, nomeadamente o "Midnight Summer Dream")

18 abril, 2011  
Blogger francisco said...

A solução está em adoptar duas moedas para a europa: uma moeda estrelina e uma moeda latrina.

;)

19 abril, 2011  
Anonymous henedina said...

acreditar em fadas e duendes...
citar ou transcrever Brel...
Quando te convidarem a falar de perigos da internet não te esqueças de não aceitar para seres coerente.

21 abril, 2011  

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