19 março, 2007

Périplo (V) - Liège

É nos dias que correm um facto seguro, a atribuição a Henrique VIII da marca mundial do mau feitio conjugal, considerando como base de contagem os seus seis casamentos. A minha reverência vai no entanto para um não menos célebre, mas incompreensivelmente ignorado percursor no que respeita à prodigalidade matrimonial, o Imperador do Ocidente, o grande reformador e educador da Europa, esse dilecto filho da região liégeoise (embora não se saiba exactamente de onde), Carlos Magno.
São-lhe creditadas pelo menos nove consortes, sendo ainda referida uma décima, cujo nome se quedou no limbo da história. E sobre esta ultima não me alongo, porque é de nomes que se trata. Um dos pormenores mais suculentos deste troço da genealogia europeia, é o rebuscado dos nomes:


1ª - Himiltrude, mãe de Pepino, o Marreco - repudiada, acaba os dias num convento
2ª - Désirée ou Hermengarda de Lombardia, sem descendência - repudiada após 1 ano de casamento, por esterilidade
3ª - Hildegarda de Vintzgau, casa com 15 anos e dá-lhe 8 filhos, entre os quais os futuros, Carlos, rei de Austrasia, Pepino, rei de Itália (muitos Pepinos havia!) e Luis I, le Debonnaire - não recupera do ultimo parto e morre com 26 anos.
4ª - Fastrade de Franconia, mãe de Théodrade e Hiltrude (que foram as duas abadessas) - morre com 29 anos
5ª - Liutgarda d’Alémania, sem descendência - morre com 24 anos
6ª - Madelgarda, mãe de Rothilde

a partir daqui as coisas complicam-se e há quem lhes troque a ordem...

7ª - Gerswinde de Saxe, mãe de Adeltrude
8ª - Régina, mãe de Drogon e Hughes
9ª - ??
10ª - Adalinda, mãe de Teodorico


Sinto-me percorrer por pequenos frémitos de extemporânea emoção, quando me ponho a imaginar que as mulheres com quem me cruzo no Centro Comercial, têm nomes assim.



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