08 julho, 2010

A Boa Educação




A sua elegância era intrínseca, a sua distinção reverberante e a sua pose espontânea de etiqueta. Por isso, quando por ocasião da inauguração do seu veleiro de dois mastros entalou o dedo no molinete da gávea, logrou ruborizar as faces de duas dezenas de selectos convidados ao não conseguir reprimir um indecoroso “Irra!...”
Olhou sobranceiro a extremidade acidentada, a unha cromaticamente a transfigurar-se de forma progressiva e inapelável, a perspectivar uma prolongada continuidade de uma dor aguda e uma previsível, desconfortável e inestética muda forçada da dita. Com um trejeito por demais rasteiro de tão vulgar, voltou a chocar os distintos convivas, interjectivando então um escandaloso e vernacular:
- Que maçada!...

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