07 julho, 2009

Os Exportugueses

  • Após Salzburgo e Bayreuth, o circuito dos grandes festivais de musica erudita prossegue já na próxima semana em Piriticutiba, Mato Grosso do Sul. Neste já internacionalmente saudado centro brasileiro de formação e divulgação de artes, fundado pela pianista exportuguesa Maria João Pires, são aguardados com elevada expectativa interpretações de obras primas do repertório Mozartiano por dois superlativos executantes, cuja identidade não foi ainda oficialmente divulgada. Garantida está no entanto, a apresentação da ópera “O Elefante na Jangada”, de Emanuel Nunes e baseada na novela homónima de José Saramago, ambos compatriotas da comissária/fundadora. Anunciada como grandiosa e exuberante por críticos da especialidade, os bilhetes da estreia esgotaram em 15 minutos e vêem agora o seu preço atingir no mercado paralelo valores inauditos, que no entanto não intimidam exigentes melómanos de todo o mundo , dispostos a assistir à “première” da obra.

  • Ainda no Brasil, o escritor e jornalista exportuguês M. Sousa Tavares lidera um vigoroso movimento de contestação às obras de remodelação previstas para a frente marítima do Rio. Conforme ontem noticiado, a Rede Globo prepara uma telenovela adaptando o seu mais recente romance, “Paus de Cabinda”.

  • O cineasta exportuguês Pedro Costa, realizador galardoado com a Palma de Ouro no ultimo Festival de Cannes, em entrevista aos “Cahiers du Cinéma”, admite poder continuar a viver em Portugal pois, confirmou a essa revista, dificilmente encontraria matéria de inspiração para os seus singulares argumentos em qualquer outro país. Afirma igualmente ter em Portugal muitos amigos e considera-se um imigrante priveligiado.

  • O neurocientista exportuguês António Damásio recebeu ontem o doutoramento “Honoris Causa”, na Universidade de Coimbra, em Portugal.

  • A FEF, Federação Exportuguesa de Futebol, excluiu a candidatura do português Gilberto Madaíl no âmbito das eleições à respectiva presidência. O seu “curriculum” embora vasto, foi desconsiderado por referenciar cargos dirigentes numa Federação estrangeira , em país onde a modalidade é conotada com práticas de ética duvidosa e alvo de suspeições diversas , levantando muitas incertezas ao comité avaliador. Entretanto, ainda no futebol, o jogo amigável de ontem em Paris entre as selecções de Portugal e Exportugal, encheu o “Stade des Princes” com entusiastas e ferverosos espectadores, na sua maioria, membros das duas comunidades emigrantes na capital francesa. O encontro terminou com um empate a 6 golos, para gáudio e alegria dos adeptos.

  • O filósofo José Gil, um dos vultos maiores do pensamento exportuguês, que tem dedicado longos e aprofundados estudos às angústias e idiossincrasias da exportugalidade, anunciou ter renunciado à sua nacionalidade, informando durante a conferência de imprensa, desejar ser exexportuguês.

  • Em Portugal, ilustres notáveis oriundos de diferentes quadrantes da sociedade, reunidos durante o fim de semana por ocasião do Congresso da Associação “Novas Oportunidades”, apresentaram as conclusões das inúmeras sessões e debates que se centraram na viabilidade do país e a sobrevivência empresarial no actual contexto político-económico, com base na continuidade da progressão geométrica dos apoios estatais. Foram aprovadas as seguintes moções:
  1. Prioridade no exercicio de “lobbying” e esforços de influência junto do governo exportuguês no sentido de facilitar (no mínimo) a dupla nacionalidade aos membros de tão destacada Associação.

  2. Caso as autoridades exportuguesas mantenham a sua inflexibilidade em não atribuir a cidadania a qualquer um, com base em rigorosamente comprovados registos cívicos, promover alternativamente a implementação de grandes investimentos impulsionadores do progresso, com férreo controlo orçamental e de retorno assegurado, sobre os quais estão preparados para apresentar extensa lista de referências

..........

Venho por este meio renunciar à minha nacionalidade, apresentando para o efeito, para além das múltiplas razões neste espaço anteriormente desfiadas, motivos de saúde, que se traduzem em alergias crónicas a atmosferas viciantes e viciosas e elevado risco de contágio a variadas e descontroladas epidemias endémicas e de tratamento incerto.
Disponho-me desde já a efectuar quaisquer exames de admissão, teóricos e práticos, abrangendo tópicos sobre cidadania, cultura/educação e democracia, ou outros eventualmente exigidos pelas autoridades exportuguesas.
Junto em anexo, petição devidamente assinada.

0 Comments:

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home