09 novembro, 2006

Gente do Milénio (II)

(Continuação)


...então, inesperadamente, do mais discreto recanto da classe média emerge um inadaptado, um inconformado, ou talvez mesmo um desesperado (psicopata até) que assalta um banco, onde até faz reféns, dispara sobre um automobilista numa fila do trânsito, desaparece com uma quantidade de dinheiro que se supunha à sua responsabilidade, tranca uma repartição a cadeado, sabe-se lá que mais. E aí, a classe média solidarizar-se-á de compreensão pela ousadia, naquele ímpeto repentino de transgressão de legítima confrontação com o monstro (sempre durante um suficientemente curto período de tempo, devidamente controlado por este) ou em caso de comportamento aparentemente mais alucinado, algo anómalo mesmo, muito provávelmente comentará : “... ele há cada um!... Já não estamos seguros em lado nenhum!”.
Finalmente, foi também no “Público” que encontrei um novo alento na síntese de um texto de Alain Touraine : “É preciso fazer a grande aliança de tudo aquilo que não é social, já que o social se tornou quase inteiramente na zona do poder”. Como? “Mobilizando todas as memórias, todas as formas de reflexão e de sexualidade, para as opôr a esse mundo multiforme do poder...” (in “Para Onde Vão os Valores” – citado por J. Barrento – Mil Folhas, 27.10.2006).


Afinal, “O fim de um mundo não é o fim do mundo” (idem).

E eu? Onde me encaixo eu então, nisto tudo?... Na classe média, onde queriam que fosse!!...

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